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quarta-feira, 19 de maio de 2010

O lugar-comum mata a reflexão e o pensamento

Expressão derivada do latim locus comunis. O lugar-comum assume o sentido pejorativo de expressão trivial, banal, que se repete frequentemente, com sinônimos clichê, chavão, chapa, frase feita, estereótipo, slogan. É uma fórmula banalizada, gasta pelo constante uso, e repetida, razão por que, de um ponto de vista literário, estas expressões não têm qualquer valor estético. Portanto, o clichê é uma forma pobre e podre de estilo literário, uma fraqueza lingüística.
O conjunto de frases abaixo (Déjà vu) – que você passará os olhos com a sensação de já tê-lo lido antes, algumas centenas de vezes, é uma amostragem da mais terrível praga dos textos argumentativos – o lugar-comum, também conhecido como chavão ou clichê.
O mal do lugar-comum não está propriamente no fato de ser uma expressão muitas vezes usada. O que merece reflexão e cuidado é o lugar-comum que aparece justamente para substituir a reflexão. O lugar-comum mata a reflexão e o pensamento. Pensa ser uma frase crítica mas é como receita de bolo, já pronta. No texto escrito, ele normalmente cumpre a função de, ao resolver tudo numa frase feita de sabedoria universal e indiscutível, eliminar qualquer necessidade argumentativa. Ora, onde há fumaça há fogo! O lugar-comum, por sua natureza indiscutível, acomoda todo o processo de conhecimento numa sabedoria que não nos pertence; ela já está pronta, passa de geração a geração, de professor a aluno, de vizinho a vizinho, de texto a texto.
O lugar-comum está presente tanto nas piadas que reforçam preconceitos (contra raça, religião, etnia...), quanto nas afirmações absolutas, completas e “sensatas” sobre os fatos que nos rodeiam. O lugar-comum não contesta, não transforma e não cria nada – apenas repete.

Déjà vu

“Graças a Deus que aqui no Brasil não existe preconceito racial – somos um povo que tem horror à violência; nossa índole pacífica é proverbial no mundo inteiro. Se o homem tomasse consciência do valor da paz, não haveria mais guerras no mundo. As crianças de hoje são os homens de amanhã. Hoje elas estão na primavera da vida. Pensar na beleza do sorriso de uma criança. Mais vale um pássaro na mão do que dois voando. A paciência é a mãe das virtudes, só com determinação e coragem haveremos de resolver nossos problemas. O que estraga o Brasil são os maus políticos; sem eles estaríamos bem melhor. Cada um deve fazer a sua parte. Hoje em dia, as mulheres estão entrando no mercado de trabalho elas são muito mais caprichosas que os homens. Já os homens são muito mais desconfiados e estão sempre querendo mais. As pesquisas eleitorais nunca acertam porque são todas compradas. A verdade é que o amor, quando autêntico, resolve tudo. A esperança é a última que morre. Devagar se vai ao longe, A pressa é inimiga da perfeição. A esperança é a última que morre. O brasileiro é preguiçoso por natureza”

Saber reconhecer o lugar-comum é a primeira tarefa de quem quer se livrar deles. Não é tão fácil assim, porque o chavão permeia todos os pontos de vista. Não é só de provérbios inofensivos que ele vive; muitas vezes, a argumentação inteira se sustenta sobre conceitos tão genéricos e vagos que se reduzem a nada. A face mais evidente deste tipo de generalidade vazia é o uso de entidades como “o Homem”, “o Mundo”, “os Políticos”,” o Jovem” “as pessoas”..., como se as sociedades fossem todas constituídas de blocos absolutamente homogêneos.

Em síntese, eis o que devemos observar para construir um texto:

1. O parágrafo é um conjunto de enunciados que se unem em torno de um mesmo sentido;
2. Não se deve esgotar o tema no primeiro parágrafo. Este deve apenas apontar a questão que vai ser desenvolvida;
3. O parágrafo seguinte é sempre uma retomada de algo que ficou inexplorado no parágrafo anterior ou anteriores. Pode ser uma palavra ou uma idéia que mereça ser desenvolvida;
4. Um texto é constituído por parágrafos interdependentes, sempre em torno de uma mesma idéia;
5. Reconheça mentalmente o que você sabe sobre o tema. É possível fazer um plano, mas talvez seja mais prático você listar as palavras-chave com que vai trabalhar. Preocupe-se com a seqüência do texto, utilizando os recursos de coesão de frase para frase e de parágrafo para parágrafo, sem perder de vista a coerência;
6. O parágrafo final deve retomar todo o texto para concluí-lo. Por isso, antes de escrevê-lo, releia tudo o que escreveu. A fim de fechar bem o texto, o parágrafo conclusivo deve retomar o que foi exposto no primeiro;
7. Todo texto representa o ponto de vista de quem o escreve. E quem escreve tem sempre uma proposta a ser discutido para poder chegar a uma conclusão sobre o assunto;
8. O texto deve demonstrar coerência, que resulta de um bom domínio de sua arquitetura e do conhecimento da realidade. Deve-se levar em conta a unidade de idéias, aliada a um bom domínio das regras de coesão;
9. Desde que o tema seja de seu domínio e você tenha conhecimento dos princípios de coesão e da estrutura dos parágrafos, as dificuldades de escrever serão bem menores;
10. Leia tudo o que for possível sobre o tema a ser desenvolvido para que sua posição seja firme e bem fundamentada.
Caríssimo, na produção do seu texto, observe se as idéias devem estar bem articuladas, com seqüência lógica, com coerência argumentativa; siga as orientações de articulação de parágrafos a partir do desmembramento do parágrafo inicial. Não se esqueça de verificar também os aspectos relativos à forma.
Mãos à obra, aprende-se a escrever lendo e escrevendo. O único caminho para conseguir a nota máxima na redação é ter como prática diária o exercício de redação, faça pequenos textos, mesmo que sejam paráfrases. O importante é ter intimidade com a atividade escrita.

Particípio Passado - verbo pegar (pego ou pegado?)

Pessoas articuladas e os bons autores de nosso vernáculo usam a forma abonada e justificada em todos os nossos pretéritos e atuais bons autores. Para a língua culta formal, só existe pegado; Portanto, prefira-se pegado a pego. Os verbos abundantes da língua portuguesa, aqueles terminados em -ado ou –ido pagar: pagado e pago; acender: acendido e aceso; imprimir: imprimido e impresso etc.

Mas a Lingüística, na faculdade, me ensinou que nada impede que venham a existir essas formas algum dia, pois a língua, como sabemos é um organismo vivo e, portanto, sofre mutações, e como não sofreria mutilações – quando isso acontecer, espero estar no famoso clichê “debaixo de sete palmos de terra”.

Um comentário:

  1. Mataste a esperança duas vezes nas citações hehe, bom texto

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