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domingo, 10 de outubro de 2010

Alegrias e Bolas de Sabão

Segundo Rubem Alves, psicanalista e escritor, Alberto Caeiro devia estar muito alegre ao escrever este poema, pois a alegria não é um estado constante, ela ocorre subitamente, sem que nos percebamos. A alegria acontece, segundo Guimarães Rosa, em momentos raros de distração. Não há como produzi-la. Ela simplesmente vem e vai como o sopro do vento, com a fugacidade de bolinhas de sabão. Contudo, é exatamente nestes momentos que sentimos que valeu a pena ter vivido, para experimentá-los.

Alberto Caeiro

As bolas de sabão que esta criança
se entretém a largar de uma palhinha
são translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
são aquilo que são.
Com uma precisão redondinha e aérea
E ninguém, nem mesmo a criança
que as deixa
pretende que sejam mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
porque qualquer cousa se aligeira em nós
e aceita tudo mais nitidamente.

Segundo Alves, por detrás de qualquer queixa nos consultórios clínicos se esconde a vontade de ter alegria. Sim, a alegria torna o mundo mais leve,mais brilhante.

"Quem tem alegria está em paz com o universo, sente que a vida faz sentido."

Ah, mas de vez em quando, sem se saber bem o porquê, ou se sabe , mas não se quer reconhecer, a alegria some e o mundo inteiro perde sua leveza, torna-se sombrio, sem cor. A indiferença toma conta do indivíduo, e o desejo de dormir sem retorno se apodera dele.

Cito Rubem Alves:

...sem saber o que fazer, os médicos prescreviam viagens, achando que cenários novos seriam uma boa distração da tristeza. Eles não sabiam que é inútil viajar para outros lugares se não conseguimos desembarcar de nós mesmos. Os tolos tentam consolar. Argumentam apontando para as razões para estar alegre: o mundo é tão bonito... Isso só contribui para aumentar a tristeza. As músicas doem. Os poemas fazem chorar. A TV irrita. Mas o mais insuportável de tudo são os risos alegres dos outros que mostram que o deprimido está num purgatório do qual não vê saída. Nada vale a pena.E uma sensação física estranha faz morada no peito, como se um polvo o apertasse.(...) é Thanatos fazendo seu trabalho. Porque quando a alegria se vai, ela entra...
Rubem Alves não fala somente da tristeza do deprimido, ele traz esperança. A alegria pode voltar. De repente, um dia você acorda e percebe que o mundo voltou a ser colorido e cheio de bolhas translúcidas de sabão... é sinal que a alegria voltou.

(inspirado no livro Desfiz 75 anos de Rubem Alves. p.11-12.)

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