SC Joias Finas

SC Joias Finas
Visite nossa fabrica. Grupo SC Brasil

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

domingo, 16 de outubro de 2016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

domingo, 17 de julho de 2016

terça-feira, 12 de julho de 2016

Soneto XXII

O espelho não me prova que envelheço
Enquanto andares par com a mocidade;
Mas se de rugas vir teu rosto impresso,
Já sei que a Morte a minha vida invade.

Pois toda essa beleza que te veste
Vem de meu coração, que é teu espelho;
O meu vive em teu peito, e o teu me deste:
Por isso como posso ser mais velho?

Portanto, amor, tenhas de ti cuidado
Que eu, não por mim, antes por ti, terei;
Levar teu coração, tão desvelado
Qual ama guarda o doce infante, eu hei.

E nem penses em volta, morto o meu,
Pois para sempre é que me deste o teu.


William Shakespeare
Tradução Ivo Barroso

domingo, 3 de julho de 2016

À sua mulher antes de casar

Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.
Gregório de Matos

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Arranjei em um beco sem saída uma brecha para o nosso amor passar!


Se tu lesse tudo que eu te escrevo
Saberias de fato o sentimento
Que tenho por você todo momento
Não achavas que estás de frente um trevo.
Nos meus versos mais belos, te descrevo
Sem saberes, ou então, sem nem notar
To fazendo de tudo pra mostrar
Que eu quero você na minha vida,
Arranjei em um beco sem saída
Uma brecha pra nosso amor passar.

João Igor

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Escárnio Perfumado


Quando no enleio
De receber umas notícias tuas,
Vou-me ao correio,
Que é lá no fim da mais cruel das ruas,
Vendo tão fartas,
D’uma fartura que ninguém colige,
As mãos dos outros, de jornais e cartas
E as minhas, nuas – isso dói, me aflige…
E em tom de mofa,
Julgo que tudo me escarnece, apoda,
Ri, me apostrofa,
Pois fico só e cabisbaixo, inerme,
A noite andar-me na cabeça, em roda,
Mais humilhado que um mendigo, um verme…
Cruz e Sousa )

domingo, 22 de maio de 2016

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade )

sábado, 7 de maio de 2016

Colunas - A Luiz Carlos

Fiz ontem (com que pesar!)
cinquenta e sete janeiros!
Os anos passam ligeiros!
Mas isso é coisa vulgar.

Nós todos nos enganamos:
pois o tempo, (eis a desgraça!)
não existindo, não passa... 
e somos nós que passamos!

Mas o tempo, (eis a verdade)
que tudo põe em ruínas,
só não tem garras ferinas
para matar a Saudade.

Pois foi com ela, a Saudade, 
que ontem, dentro do meu ninho, 
passei o dia inteirinho,
o dia todo a cantar.
E como faz bem ao peito,
ressuscitando o desfeito,
num velho “pinho” chorar!

Assim, cantando, gorjeando, 
é que vamos evocando
os que lá foram “viajando” 
para eternos jubileus!
E nós, os bardos, sabemos
que no mundo onde vivemos, 
quem canta fala de extremos
com uma Saudade ou com Deus!

O mundo é uma songa-monga! —
Tendo a vida curta ou longa,
gritarei, como a araponga, 
os gritos da minha dor.
Foi para isso, somente,
que Deus, cruel e clemente,
deu-me este horrendo presente
de me fazer trovador.

Ora, adeus!... A vida é esta!
A solidão é uma festa,
quando à nossa alma inda resta
a solidão do Ideal!
Pois no dia dos meus anos,
distante de olhos profanos, 
e de tudo que é mortal,
sem visitas importunas,
com as cordas d’alma vibrando,
passei o dia sonhando,
a conversar com as COLUNAS
do seu livro divinal,
essas COLUNAS gigantes 
de pedra filosofal.

Afirmem sábios doutores
que de alabastro são feitas
essas COLUNAS perfeitas,
com os seus plintos de amargores
e os fustes, que são de dores,
e os capitéis de oração,
porque eu, que tanjo uma lira, 
direi aos sábios: mentira!... 
É uma completa heresia!... 
É uma completa ilusão!... 
Porque. a pedra é coisa fria,
insensível e concreta,
e o seu livro, excelso poeta, 
é a chorosa Eucaristia
da sua melancolia, 
é a Poesia em contrição,
é a dor da Filosofia,
rugindo uma Ave-Maria
pela boca de um vulcão.

Essas COLUMNAS de glórias
serão Colunas marmóreas,
mas dos mármores das lágrimas 
do seu grande coração.


Catulo da Paixão Cearense

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pai, eu não te amo como antigamente

Pai,

Há muitos anos que não caibo mais no seu colo. Hoje meu peso já é demais para você me carregar nos seus ombros. E meus anos já não permitem certos mimos de antigamente.
Mas me flagro, às vezes, desejando que você ainda pudesse administrar minha vida, escolhendo os caminhos mais seguros para eu caminhar. Caminhada essa, livre de todo medo, por saber que você me observava a cada passo, tentando impedir meus tombos e tropeços.

Os anos passaram. E a vida não perdoa atrasos.

A cada dia, por mais que nenhum de nós tivesse pedido, menos controle você passou a ter sobre a minha vida. Não pôde escolher meus empregos como escolhia minhas escolas. Não pôde vetar aquela última dose de vodka como vetava o chocolate antes do almoço. Não pôde me ajudar com aquela baliza na vaga pequena como me ajudava com os pedais da bicicleta. Não pôde evitar a queda do meu celular na privada como evitou vasos quebrados por causa da bola dentro de casa.

E tudo aquilo que você fazia, e que um dia me pareceu infernal: horários estipulados para voltar para casa na noite de sábado, olhares tortos para amigos que não te pareciam boa coisa, reclamações por tempo demais no telefone, controle do dinheiro que eu tentava gastar, hoje faria todo sentido. Seria tão bom se hoje em dia você pudesse me garantir mais horas de sono, amigos mais confiáveis, uma conta de celular mais barata ou uma fatura de cartão de crédito um pouco menos imbecil…

Mas agora é comigo, pai.

E seria bom voltar ao tempo em que você me parecia imortal. Tempo em que era você quem se preocupava com a minha saúde e não eu com a sua. Tempo em que você tentava evitar meu resfriado ou ficava preocupado com meus 39 graus de febre. Mas hoje sou eu que cobro seus exames de sangue, seus exercícios físicos e tento te fazer ver que amendoim, álcool e carne vermelha não garantem uma velhice boa a ninguém.

Pois é, pai. No fundo, todo mundo já sabia que ia ser assim. Mas às vezes essa síndrome de Peter Pan nos invade e a vontade de ficar debaixo de suas asas é quase irresistível.

Mas a vida chama.

Então me levanto, lavo o rosto, vou trabalhar. Porque você me levou no colo, me carregou nos ombros, mas também me ensinou a caminhar com minhas próprias pernas. E se hoje estou na estrada, trilhando caminhos bonitos, você bem sabe que isso é obra sua.

E sabe, pai? Nesse domingo posso te dar um presente. Provavelmente não será grande coisa. Não é aquele super carro com o qual você ainda sonha, mas é fruto do meu trabalho. Fruto do que só existe por sua causa. Pela educação que você me deu, pelas notas das quais você reclamou na escola, pelas festas que você vetou em vésperas de prova.

E eu vou te olhar durante o almoço. Não com o encantamento que tinha aos 6 anos… Porque aos 6 anos era aquele amor cego das crianças. Já hoje, tenho esse olhar cirúrgico, avalio suas atitudes, aponto seus erros, reclamo dos seus defeitos. A verdade, pai, é que eu não te amo como antigamente. A verdade é que te amo ainda mais.

Te amo mais porque te vejo de verdade, com tudo de bom e de ruim, consciente de que você é um ser falho, como todos os outros, mas que, mesmo assim, consegue se manter como meu porto seguro, meu norte, aquele que me construiu, me guiou e ainda me guia, me acode nas quedas que não pode evitar, me ama com todos meus defeitos e é quem dá vida à ideia de “amor incondicional”.

É, pai, hoje você já não é tudo aquilo que foi para mim um dia. Porque agora você é tudo aquilo que é para mim hoje. 

E hoje é amor dobrado, é amor firme e deliberado, desse filho, adulto e crítico, com um sentimento cada vez mais consolidado.

Ruth Manus



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

 Florbela Espanca

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Timidez

Basta-me um pequeno gesto, 
feito de longe e de leve, para que venhas comigoe eu para sempre te leve...

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caídadas montanhas dos instantesdesmancha todos os marese une as terras mais distantes...

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, 

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegandonos ares certos do tempo, até não se sabe quando...

— e um dia me acabarei.


Cecília Meireles

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 2 de março de 2016

Oração do Milho



Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das  lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste, e se me ajudardes, Senhor, mesmo planta de acaso, solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo
e de mim não se faz o pão alvo universal.
O Justo não me consagrou Pão de Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou de origem obscura e de ascendência pobre, alimento de rústicos e animais do jugo.
Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques, coroados de rosas e de espigas,
quando os hebreus iam em longas caravanas buscar na terra do Egito o trigo dos faraós,
quando Rute respigava cantando nas searas de Booz e Jesus abençoava os trigais maduros,
eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias.
Fui o angu pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica do proletário.
Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
Alimento de porcos e do triste mu de carga.
O que me planta não levanta comércio, nem avantaja dinheiro.
Sou apenas a fartura generosa e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.
Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a Vós, Senhor,
que me fizestes necessário e humilde.

Sou o milho.

(Introdução ao Poema do Milho)
Cora Coralina

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O Laço e o Abraço


Resultado de imagem para abraçoMeu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. 
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braços. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

 Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.

Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

Mário Quintana

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Vão as leis onde querem os reis. — Quae vult rex fieri, sanctae sunt congrua legi.


antiguidade
558 expressões


Chamou-nos a atenção o Prof. Dr. Álvaro Alfredo Bragança Júnior, em sua tese de doutorado em Língua e Literatura Latina intitulada A Fraseologia Medieval Latina Como Reflexo de uma Sociedade,  para a importância da fraseologia no contexto latino medieval e na antiguidade clássica.
Por isto, e para melhor nos prepararmos para o exame de tão brilhante trabalho, resolvemos examinar a obra de Renzo Tosi, Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas,  através da tradução de Ivone Castilho Benedetti, para nos inteirarmos de sua defesa da origem literária e até mesmo clássica, da chamada “Literatura Oral”, representada principalmente pelos provérbios, adágios etc.
Como esse autor trata de tais sentenças organizadas por assunto, em quase mil páginas impressas em caracteres miúdos, resolvemos organizá-las, primeiramente, a partir de outras obras produzidas no Brasil e por ordem alfabética.

Por enquanto, aqui vai a nossa colaboração, com 558 expressões que tiveram sua origem na literatura latina ou mesmo anterior, visto que não analisamos as fontes das obras latinas citadas em que tais expressões foram utilizadas.


1. A adoção imita a natureza. —  Adoptio naturam imitatur.
2. Nada vem do nada — De nihilo nihil. (Lucrécio)
3. É difícil esquecer de repente um longo amor. — Difficile est longum subito deponere amorem.
4. Quando o pobre dá presente ao rico, parece armar-lhe redes. — Donat cum egenus diviti retia videtur tendere (Catulo).
5. Doce e honroso é morrer pela pátria. — Dulce et decorum est pro patria mori. (Horácio)
6. A afinidade não gera afinidade. — Affinitas affinitatem non generat.
7. A águia não caça moscas. — Aquila non captat  muscas.
8. A arte está em esconder a arte. — Ars est celare artem.
9. A barba não faz o filósofo. — Barba non facit philosophum.
10. A boa árvore dá bons frutos. — Arbor bona fructus bonos facit.
11. A boa vontade supre a obra. — Aequiparat factum nobile velle bonum.
12. A boca fala do que está cheio o coração. — Ex abundanctia enim cordis os loquitur.
13. A boda ou a batizado não vás sem ser convidado. — Alterius festum solum invitatus adibis.
14. A boi velho não busques abrigo. — Aetatem habet, ipse sibi consulte expertus.
15. A caridade começa por casa. — A caridade começa por casa.
16. A cavalo dado não se olha o dente. — Equi donati dentes non inspiciuntur.
17. A César o que é de César. — Quae sunt Caesaris, Caesari.
18. A desgraça de uns é o bem de outros. —  Lucrum unibus est alterius damnum.
19. A desgraça do pobre é querer imitar o rico. — Inops, potentem dum vult imitari, perit.
20. A desgraça vem ser chamada. — Mala ultro adsunt.
21. A Deus nada é impossível. — Nihil est quod Deus efficere non possit.
22. A exceção confirma a regra. — Exceptio regulam probat.
23. A experiência vale mais que a ciência. — Experientia praestantior arte.
24. A fama tem asas. — Fama volat.
25. A fortuna é como o vidro: — tanto brilha, como quebra. — Fortuna vitrea est: tum cum splendet, frangitur.
26. A hora é incerta, mas a morte é certa. — Morte nihil certius est, nihil vero incerta quam ejus hora.
27. A intenção é que faz a ação. — Voluntas pro facto reputatur.
28. A letra, com sangue, entra. — Litterae non entrant sine sanguine.
29. A maior pressa é o maior vagar. — Qui nimium properat serius absolvit.
30. A maior vingança é o desprezo. — Injuriarum remedium est oblivio.
31. A morte não poupa ninguém. — Mors omni aetate communis est.
32. A morte tudo nivela. — Omnia cinis aequat.
33. A necessidade é mestra. — Fames magistra.
34. A necessidade não tem lei. — Necessitas caret lege.
35. A ocasião faz o ladrão. — Occasio facit furem.
36. A palavras loucas, orelhas moucas. — Dementis convitia nihil facias.
37. A pergunta apressada, resposta demorada. — Quaerenti propere danda est responsio lenta.
38. A pressa é inimiga da perfeição. — Festinare docet.
39. A quem quer, nada é difícil. — Volenti nihil difficile.
40. A quem trabalha, Deus ajuda. — Industriam adjuvat Deus.
41. A sorte da guerra é incerta. — Anceps fortuna belli.
42. A sorte está lançada. — Alea jacta est.
43. A verdade dispensa enfeites. — Veritatis simplex oratio.
44. A verdade sai da boca das crianças. — Ex ore parvulorum veritas.
45. A vista do dono engorda o cavalo. — Oculus domini saginat equum.
46. A vitória ama a cautela. — Amat victoria curam.
47. Abuso não é uso, mas corruptela. — Abusus non est usus, sed corruptela.
48. Acaba-se o haver, fica o saber. — Sapientia longe preestat divitiis.
49. Aceita o que é teu e dá o alheio a seu dono. — Accipe quod tuum, alterique da suum.
50. Advogados nascem, juízes fazem-se. — Advocaci nascuntur, judices fiunt.
51. Agir, não falar. — Agere non loqui.
52. Água e pão, comida de cão. — Vilis aqua et panis, potus et esca canis.
53. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. —Gutta cavat lapidem, non vi sed saepe cadendo.
54. Alegação sem prova é como sino sem badalo. — Allegatio sine probatione veluti campana sine pistillo est.
55. Amigo certo conhece-se na hora incerta. — Amicus certus in re incerta cernitur.
56. Amigo certo, nas horas incertas. — Amicum certum in re incerta cerni.
57. Amigo de meu compadre, porém mais da verdade. —  Amicus Plato, sed magis amica veritas.
58. Amigo de todos e de nenhum, tudo é um. — Qui servit communi servit nulli.
59. Amigo velho é parente. — Amicitia vera similis est consanguinitati proximiori.
60. Amigo, a que vieste? — Amici, ad qui venisti?
61. Amigos, amigos!  negócios à parte! — Usque ad aras amicus.
62. Amigos, nem muitos, nem nenhum. — Amandi, nec multi, nec nulli.
63. Amor com amor se paga. — Amor amore compensatur.
64. Amor com amor se paga. — Amor amore compensatur.
65. Amor de asno entra a coices e dentadas. — Dentes atque pedes asinini exordia amoris.
66. Amor e senhoria não quer companhia. — Amor et potestas impatiens consortis.
67. Amor faz muito, mas dinheiro faz tudo. — Plurima praestat amor, sed sacra pecunia cuncta.
68. Amor primeiro não tem companheiro. — Primus amor potior.
69. Andando de dois, se encurta o caminho. — Comes facundus in via pro vehiculo est.
70. Anel de ouro não é para focinho de porco. — Anulus aureus in nare suilla.
71. Antes burro que me leve que cavalo que me derrube. — Malo tutus humi repere quam ruere.
72. Antes calar que com doidos altercar. — Dementis convitia nihil facias.
73. Antes da morte, não louves a ninguém. — Ante mortem ne laudes hominem quemquam.
74. Antes de entrar, pensar na saída. — Res ab exitu spectanda et dirigenda est.
75. Antes de mais que de menos. — Melius est abundare quam deficere.
76. Antes de matar a onça, não se faz negócio com o couro. — Priusquam mactaveris, excorias.
77. Antes invejado que lastimado. — Praestat invidiosum esse quam miserabilem.
78. Antes pobre sossegado que rico atrapalhado. — Liber inops servo divite felicior.
79. Antes que conheças, não louves nem ofendas. — Antequam noveris, a laudando et vituperando abstine.
80. Antes só do que mal acompanhado. — Fecit iter longum, comitem qui liquit ineptum.
81. Antes sofrer injúria, que praticá-la. — Accipere, quam facere, praestat injuria.
82. Antes sofrer o mal que fazê-lo. — Accipere quam facere praetat injuriam.
83. Antes tarde do que nunca. — Utilius tarde quam nunquam.
84. Antes torcer que quebrar. — Flectere commodius validas quam frangere vires.
85. Ao avarento falta o que não tem e falta o que tem. —  Tam desunt avido sua quam quod non habet.
86. Ao homem ousado, afortuna estende a mão. — Audaces fortuna juvat, timidosque repellit.
87. Ao médico, ao advogado e ao abade, falar a verdade. — Abbati, medico, patronoque intima pande.
88. Ao padre, médico e advogado, falar a verdade. — Abbati, medico, potronoque intima pande.
89. Ao que está feito, remédio; ao por fazer, conselho. — Consilium faciendo, facto adhibeto medelam.
90. Ao vivo tudo falta, e ao morto tudo sobra. — Morienti cuncta supersunt.
91. Aprende chorando e rirás ganhando. — Litterarum radices amarae, fructus dulces.
92. Aquele a quem se dá, o escreve sobre a areia; aquele a quem se tira, o escreve sobre o bronze. — In vento scribit laedens; in marmore laesus.
93. Aqui é que está o busílis. — Hoc opus, hic labor est.
94. Arca aberta, o justo peca. — Oblata occasione, vel justus perit.
95. Arrenego de grilhões, ainda que sejam de ouro. — Non bene pro toto libertas venditur auro.
96. Arrenego do amigo que come o meu comigo e o seu consigo. — Absit qui mea manducat mecum et sua secum.
97. Arrufos de namorados são amores renovados. — Amantium ira redintegratio amoris est.
98. As aparências enganam. — Fallitur visio.
99. As boas palavras custam pouco e valem muito. — Verba mollia et efficacia.
100. Asno que tem fome, cardos come. — Jejunus stomachus raro vulgaria temnit.
101. Até prometer, sede escasso. — Quousque promittas tardus, ut festinus praetes.
102. Atrás de mim virá quem bom me fará. — Deterior parvum sanctificare solet.
103. Ausente não pode ser curador de ausente. — Absens absentis curator esse nequit.
104. Ávido do alheio, pródigo do próprio. — Alieni appetens, sui profusus.
105. Barba não dá juízo. — Philosophum non facit barba.
106. Barriga cheia, pé dormente. — Venter plenus somnum parit.
107. Bem jejua quem mal come. — Jejunat satis is qui paucis vescitur escis.
108. Bem parece a guerra a quem não vai nela. —  Bellum dulce inexpertis.
109. Bem sabe mandar, quem soube obedecer. — Bene imperat qui bene paruit aliquando.
110. Bem se lambe o gato, depois de farto. — Cum satur est felis, se totum lambere gaudet.
111. Boa fama vale dinheiro. — Honesta fama est alterum patrimonium.
112. Boca de mel, coração de fel. — Mel in ore, fel in corde.
113. Boca não admite fiador. — Fames et mora bilem in nasum conciunt.
114. Bom é ter pai e mãe, mas comer e beber rapa tudo — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.
115. Bom saber é o calar, até ser  tempo de falar. — Prudens in loquendo est tardus.
116. Bom traje encobre ruim “linhage”.  — Obscurum vestis contegit ampla genus.
117. Brevidade e novidade muito agradam. — Grata brevitas, grata novitas.
118. Brigam as comadres, descobrem-se as verdades. — Feminarum furgiis deteguntur vera.
119. Brigas de namorados, amores renovados. — Amantium irae amores integratio sunt.
120. Cachaceiro não tem segredo. — Nullum secretum est ubi regnat ebrietas.
121. Cachorro de cozinha não quer colega. — Dum canis os rodit, socium quem diligit odit.
122. Cachorro, por se avezar, nasceu com os olhos tapados. — Canis festinans caecos catulos parit.
123. Cada cuba cheira ao vinho que tem. — Allia quando terunt, retinent mortaria gusta.
124. Cada qual acode onde mais lhe dói. — Ad commodum suum quisquis callidus est.
125. Cada qual com seu igual. — Pares cum paribus facillime congregantur.
126. Cada qual como Deus fez. —  Ut quemque Deus vult esse, ita est.
127. Cada qual conforme seu natural. — Naturae sequitur semina quisquis suae.
128. Cada qual é dono de suas ventas. —  Velle suum cuique est.
129. Cada qual fala da feira, conforme lhe vai nela. — Ut quisque fortuna utitur, ita loquitur.
130. Cada qual no seu ofício. — Tractent fabrilia fabri.
131. Cada qual puxa a brasa pra sua sardinha. — Omnes sibi prius quam alteri esse volunt.
132. Cada qual sabe onde o sapato lhe aperta. — Ad commodum suum quisquis callidus est.
133. Cada qual sente seu mal. — De damno proprio quisque dolere scit.
134. Cada qual tem a idade que parece ter.  — Factes tua computat annos.
135. Cada qual tem seu defeito. — Aliud alic vitio est.
136. Cada um colhe conforme semeia. — Sementem ut feceris, ita metes.
137. Cala primeiro o que queres que os outros calem. — Alium silere quod voles, primum sile.
138. Cão que ladra não morde. — Canes timidi vehementius latrant.
139. Cão que muito lambe, tira sangue. —  Lembens assidue eliciet canis ore cruorem.
140. Careca não gasta pente. — Quid pectunt qui non habent capillos?
141. Casa tua filha com o filho de teu vizinho. — Nubere vis apte? Vicino nube merito.
142. Casar com os de sua igualha. — Si vis apte nubere, nube pari.
143. Casar é bom, não casar é melhor. —  Qui matrimonio jungit virginem sua bene facit, et qui non jungit melius facit. (São Paulo)
144. Casarás e amansarás.  — Conjugium satis est juvenem dominare ferocem.
145. Cautela e caldo de galinha nunca faz mal a ninguém. — Abundans cautela non nocet.
146. Chave que se usa está sempre limpa. — Ferrum quo non utimur, obducitur rubigine.
147. Chega-te aos bons e serás um deles. —  Non male sedit qui bonis adhaerit.
148. Com bochecha cheia de água ninguém sopra. — Flare simul, sorbere simul, res ardua semper.
149. Com o tempo, vem o tento. — Dies posterior prioris est discipulus.
150. Com paciência e perseverança, tudo se alcança. — Labor improbus omnia vincit.
151. Com teu amo não jogues as pêras. — Potentes ne tentes aemulari.
152. Comer e coçar, tudo está em começar. — Incipis invitus cessasque invitus ab esu.
153. Comer para viver, e não viver para comer. — Edendum tibi est ut vivas, et non vivendum ut edas.
154. Comida feita, companhia desfeita. — Diligis, cadis cum faece sicutis, amici.
155. Como cada um se estima, assim o estimam. — Quantum quisque se ipsum facit, sic fit ab amicis.
156. Conhece-te a ti mesmo. — Nosce te ipsum.
157. Conversa fiada não bota panela no fogo. — Verba non implent  marsupium.
158. Corda puxada se quebra. — Arcus tensus saepius rompitur.
159. Coruja não acha os filhos feios. — Asinus asino et sus sui pulcher est.
160. Crédito é o que os outros nos devem. — Aes sunt quod aliis nobis debentur.
161. Dá duas vezes quem dá depressa. — Bis dat qui cito dat.
162. Da pele alheia, grande correia. — Ex alieno corto longa corrigio.
163. Dádivas quebrantam penhas. — Muneribus vel Dii capiuntur.
164. Dá-se o pé e ele quer a mão. — Digitum stulto ne permittas.
165. De  gota em gota o mar se esgota. — Guttatim pelagi perfluit omnis acqua.
166. De boa árvore, bom fruto. — Arbore de dulci dulcia poma cadunt.
167. De boas intenções o inferno está calçado. — Propositum capiunt Tartara, facta Polus.
168. De casa de gato não sai rato farto. — Ex domo felis discendit mus impransus.
169. De grandes causas, grandes efeitos. — A magnis maxima.
170. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Adde parum parvo magnus acervo erit.
171. De grão em grão, a galinha enche o papo. — Molli paulatim flavescit campus arista.
172. De hora em hora, Deus melhora. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.
173. De longe, vê-se o alto. — Alta a longe cognoscit.
174. De muitos poucos se faz  um muito. — Pusillum pusillo si addas, fiet ingens acervus.
175. De nada nada se faz. — De nihilo nihilum.
176. De noite, todos os gatos são pardos. — Lucerna sublata nihil discriminis inter mulieres.
177. De obras feitas todos são mestres. — Promptius est omnibus judicare quam facere.
178. De pequenino se torce o pepino. — A teneris consuescere multum.
179. De rico a soberbo não há palmo inteiro. —  Associat dives tumidos opulentia fastus.
180. De tal árvore, tal fruto. —  Arbor ex fructu cognoscitur.
181. De vez em quando, o bom Homero cochila. — Aliquando bonus dormitat Homerus.
182. Debaixo duma ruim capa está um bom jogador. — Sub sordido palliolo latet sapientia.
183. Depois da onça morta, até cachorro mija nela. — Leoni mortuo lepores insultant.
184. Depois da tempestade, vem a bonança. — Post nubila, Phoebus.
185. Deus dá o frio conforme a roupa. — Pro ratione Deus dispertit frigora vestis.
186. Deus não lê nas caras e, sim, nos corações. — Deus est solus scrutator cordium.
187. Deus sabe o que faz. — Utile quid nobis novit Deus omnibus horis.
188. Deus, que o marcou, alguma coisa nele achou. — Cavete tis quos natura signavit.
189. Devagar se vai ao longe. — Paulatim deambulando, longum conficitur iter.
190. Devagar, que tenho pressa! — Festina lente.
191. Dinheiro é que faz dinheiro. — Nummus nummum parit.
192. Dito e feito. — Dictum et factum.
193. Dize-me com quem andas e eu te direi as manhas que tens. — Non mos ad vitam, sed consuetudo probanda.
194. Dizendo-se as verdades, perdem-se as amizades. — Veritas odium parit.
195. Do contado como o lobo. — Lupus non curat numerum.
196. Do couro sai a correia. — Ex bove coria sumuntur.
197. Do dito ao feito vai grande eito. — Inter dictum et factum multum differt.
198. Do dizer ao fazer vai muita diferença. — Aliud est facere, aliud est dicere.
199. Do mal guardado come o gato. —  Torpida saepe lupos custodia pascit iniquos.
200. Do perdido perca-se o sentido. — Perditus est, mala qui sequitur vestigia pravi.
201. Do que é novo gosta o povo. — Nova placent.
202. Doença comprida em morte acaba. —  Longa valetudo, certissima mors.
203. Dois olhos vêem mais que um. — Aspiciunt oculi duo lumina clarius uno.
204. Dor de mulher morta dura até à porta. — Confestim fletus emissae conjugis arent.
205. Dos males, o menor.  — Minima de malis.
206. Dos maus costumes nascem as boas leis. — Leges bonae malis ex moribus procreantur.
207. Dos meninos se fazem os homens. —  Crescit in egregios parva juventa viros.
208. Duro com duro não levanta muro. — Mons cum monte non miscetur.
209. É cedo que se formam os costumes. — A teneris consuescere multum est.
210. É mais fácil rasgar que costurar. —  Laedere facile, mederi difficile.
211. É melhor errar com muitos que acertar com poucos. — Sentientum cum multis.
212. É melhor ser bom que de boa raça. — Nostra nos decet, non sanguine niti.
213. É melhor uma boa morte do que uma ruim sorte. — Improba vita, mors optabilior.
214. É melhor uma ruim acomodação que uma boa questão. — Litem ne quaere cum licet fugere.
215. É preferível a eqüidade ao rigor. — Aequitas praeferitur rigore.
216. Elogio de boca própria é vitupério. — Laus in ore proprio villescit.
217. Em boca fechada não entra mosca. — Tutum silentium praemium.
218. Em casa de enforcado não se fala em corda. — Quae dolent ea molestum est contingere.
219. Em casa de mulher rica, fala o marido e ela grita. — Imperat et clamat quaecumque est femina dives.
220. Em longa geração, ha conde e ladrão. — Absque vado fluvius, nec stat sine pelice proles.
221. Em Roma, sê romano. —  Si fueris Romae, Romano vivito more.
222. Em sua casa cada um é rei. — Quilibet est tuguri rex, dominusque sui.
223. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. — Beati monoculi in terra caecorum.
224. Em toda parte há um pedaço de mau caminho. — Commoditas omnis fert sua incommoda.
225. Emprestaste e não cobraste; e, se cobraste, não tanto; e, se tanto, não tal; e, se tal, inimigo mortal. — Si prestabis, non habetis; si habetis, non tam bene; si tam bene, non tam cito; si tam cito, perdis amicum.
226. Enquanto dormem os gatos, correm os ratos. — Dum felis dormit saliunt mures.
227. Enquanto há figos, há amigos. — Fervet olla, vivit amicitia.
228. Enquanto o doente respira, há esperança. — Aegroto dum anima est, spes est.
229. Entende primeiro e fala derradeiro. —  Festinus intellige, tardus loquere.
230. Enterrado, perdoado. —  Parce sepultis.
231. Entre pais e irmão não metas as mãos. — Non patri, nato et fratri rixentibus adstes.
232. Errando é que se aprende. — Errando discitur.
233. Errar é humano. — Errare humanum est.
234. Escolhe os amigos entre os teus iguais. — Amicitia tibe junge pares.
235. Estar comendo brisa. — Rore non pascitur.
236. Estrada aberta é caminho. — Via trita, via tuta.
237. Faça-se justiça, embora desabem os céus. — Fiat justitia et ruat caelum.
238. Falar é fôlego. — Perdere verba leve est.
239. Fartura faz bravura. — Ferociam sacietas parit.
240. Fazer de um argueiro um cavaleiro. — Elephantem ex musca facere.
241. Fazer o bem nunca se perde. — Quae recte fiunt nunquam benefacta peribunt.
242. Fechar a porta depois de arrombada. — Accepto damno januam claudere.
243. Feliz é quem feliz se julga. — Felix est non aliis qui videtur, sed sibi.
244. Filhos criados, trabalhos dobrados. — Grandaevi nati, labores duplicati.
245. Formiga tem catarro. — Etiam formicae sua bilis inest.
246. Formiga, quando quer se perder, cria asas. — Quos Jupiter perdere vult prius dementat.
247. Ganha dinheiro quem tem dinheiro. — Dantur divitiae non nisi divitibus.
248. Ganha fama e deita-te na cama. — Audies bene ab hominibus et tuto vivas.
249. Ganha fama e deita-te na cama. — Bonus rumor alterum est patrimonium.
250. Gato escaldado de água fria tem medo. — Horrescit gelidas felis adustus aquas.
251. Grandes viagens, grandes mentiras. — Longum iter emensus, mendacia longa reportat.
252. Guarda-te de homem que não fala e de cão que não ladra. — Ira quae tegitur nocet.
253. Há males que vêm por bem. — Nunc bene navigavi, cum naufragium feci.
254. Hoje por mim, amanhã por ti. — Hodie mihi, cras tibi.
255. Homem honrado, antes morto que injuriado. — Nobilis, ut vitet probrum, dat pectora ferro.
256. Homem magro, sem ser de fome, vale por dois “home”. — Cavete a macilento non famelico.
257. Hóspede e peixe com três dias fede. — Hospes et piscis tertio quoque die odiosus est.
258. Hóspede jejuador, bem-vindo seja! — Si mea non coenes, gratior hospes es.
259. Igual com igual se apraz. — Igual agrada igual. — Aequalis aequalem delectat.
260. Infeliz da raposa que anda aos grilos. — Tunc male vulpi erit, si muscas prendere tentet.
261. Infeliz do rato que só conhece um buraco. — Mus miser est sabe que solo clauditur uno.
262. Intriga de irmão, intriga de cão. — Fratrum irae acerbissimae.
263. Junta o útil ao agradável. — Utile dulci.
264. Ladrão que furta a ladrão tem cem anos de perdão. — Callidus est latro qui tollit furta latroni.
265. Língua comprida, sinal de mão curta. — Cui lingua est grandis, parvula dextra est.
266. Lobo não come lobo. — Furem fur cognoscit, et lupum lupus.
267. Longe da vista, longe do coração. — Procul ex oculis, procul ex mente.
268. Macaco velho não meta a mão em cumbuca. — Annosa vulpes non capitur laqueo.
269. Mais barato é o comprado que o pedido. — Emere malo quam rogare.
270. Mais faz quem quer do quem pode. — Saepe potestatem solita est superare voluntas.
271. Mais há quem suje a casa que quem a varra. — Qui varrant, pauci; est multus, qui sordidet aedes.
272. Mais sabe o tolo no seu do que o sisudo no alheio. — Sua melius insanus curat quam sapiens aliena.
273. Mais se arrepende quem fala do que quem cala. — Multis lingua nocet: nocuere silentia nulli.
274. Mais se sabe por experiência que por aprender. — Magis experiendo quam discendo cognoscitur.
275. Mais vale a qualidade que a quantidade. — Amplius juvat virtus, quam multitudo.
276. Mais vale amigo na praça do que dinheiro na caixa. — Ubi amici, ibi opes.
277. Mais vale o feitio que o pano. — Materiam superabat opus.
278. Mais vale penhor que fiador. — Pignus fideijussore securius.
279. Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga. — Auxilium superum humanis viribus praestat.
280. Mais vale um “toma” que dois “te darei”. — Bis gratum quod ultro offertur.
281. Mais vale um burro vivo que um doutor morto. — Melior est canis vivis leone mortuo.
282. Mais vale um ovo hoje que uma galinha amanhã. — Ad praesesn ova cras pullis sunt meliora.
283. Mais vale um pássaro na mão que dois voando. — Plus valet passer in manibus, quam sub dubio grus.
284. Mais vale vergonha na cara que mágoa no coração. — Pudere praestat quam pigere.
285. Mal de muitos consolo é. —  Quae mala cum multis patimur leviora videntur.
286. Mal ou bem, com os teus te avém. — In omni fortuna tuis adhaere.
287. Mandar não quer par. — Omnis potestas impatiens consortis erit.
288. Melhor seria se não tivesse nascido. — Bonum erat si non natus non fuisset homo ille.
289. Muito falar, muito errar. — In muktiloquio non deerit stultitia.
290. Muito pode o galo no seu terreiro. — Plurimum valet gallus in aedibus suis.
291. Muito prometer é uma maneira de enganar. — Multa fidem promissa levant.
292. Muito riso é sinal de pouco siso. — Per multum risum stultus cognoscitur.
293. Muitos amigos em geral, e um em especial. — Neque nullis sis amicus, neque multis.
294. Muitos são os chamados, porém poucos os escolhidos. — Multi sunt vocati, pauci vero electi.
295. Mulher andeja fala de todos, e todos dela. —  De cunctis loquitur faemina quae tota cursitat urbe vaga.
296. Mulher boa é prata que soa. — Nil melius muliere bona.
297. Mulher e vidro sempre estão em perigo. — Et vitrum et mulier sunt in discrimine semper.
298. Na barba do tolo aprende o barbeiro novo. — A barba stolide discunt tondere novelli.
299. Na boca do mentiroso o certo se faz duvidoso. — Mendaci ni verum quidem dicenti creditur.
300. Na cauda é que está o veneno. — In cauda venenum.
301. Nada duvida quem nada sabe. —  Ille nihil dubitat qui nullam scientiam habet.
302. Nada tem quem não se contenta com o que tem. — Cui nunquam satis est, possidet ille nihil.
303. Não faças a outrem o que não quererias que ti fizessem. — Quod tibi non vis, alteri ne facias.
304. Não faças aos outros o que não queres que te façam. — Alteri ne facias quod tibi fieri non vis.
305. Não gosta do doce quem não prova o amargo. — Dulcia non novit qui non gustavit amara.
306. Não há bem que sempre dure, nem mal que sempre ature.  — Omnium rerum vicissitudo est.
307. Não há casamento pobre, nem mortalha rica. — Nemo nupsit inops, dives nec mortuus ullus.
308. Não há efeito sem causa. — Causa debet praecedere effectum.
309. Não há gato, nem cachorro que não saiba.  — Lippis et tonsoribus notum.
310. Não há gosto que não custe. — Commoditas omnis fert secum incommoda.
311. Não há gosto sem desgosto. — Fel latet in melle et mel non bibitur sine felle.
312. Não há melhor espelho que amigo velho. — Se gerit egregium speculum veteranus amicus.
313. Não há nada de novo debaixo do sol. — Nihil sub sole novi.
314. Não há regra sem exceção. — Deviat a solitis regula cuncta viis.
315. Não há tempero tão bom como a fome. — Fames optimum condimentum.
316. Não merece o doce quem não prova o amargo. — Dulcia non meruit qui non gustavit amara.
317. Não pode ser meu amigo o amigo de meu inimigo. — Inimici sui amicum nemo in amicitia sumit.
318. Não sabe governar quem não sabe obedecer. — Non bene imperat, nisi qui paruerit imperio.
319. Não saiba a mão esquerda o que faz a direita. — Nesciat sinistra quod faciat dextera tua.
320. Não se aumente a aflição do aflito. — Afflicto non est addenda afflictio.
321. Não se bebe sem ver, nem se assina sem ler. — Inspice bis potum et chartam subscribe scienter.
322. Não se deve aumentar a aflição do aflito. — Afflictis non est addenda afflictio.
323. Não se deve ser juiz de causa própria. — Aliquis non debet esse judex in propria causa.
324. Não se pode demandar contra si mesmo. — A se impetrare ut nom posse.
325. Não suba o sapateiro além da chinela. — Ne sutor ultra crepidam.
326. Não te deves fiar senão naquele com quem já comeste um molho de sal. — Nemini fidas, nisi ei, cum quo prius modium salis absumptseris.
327. Não vás à festa alheia sem ser convidado. — Alterius — festum solum invitatus adibis.
328. Não vê a trave que tem no olho e vê um argueiro no do vizinho. — Aliena vitia in oculis habemus, a tergo nostra sunt.
329. Nas ocasiões é que se conhecem os amigos. — In angustiis apparent amici.
330. Nem só de pão vive o homem. — Non in solo pane vivit homo.
331. Nem tanto, nem tão pouco. — Medio tutissimus ibis.
332. Nem todas as verdades se dizem. —  Non omnia quae vera sunt recte dixeris.
333. Nem todo dia é dia santo. — Nec semper lilia florent.
334. Nem tudo que luz é ouro. — Non omne id quod fulget, aurum est.
335. Ninguém acorde o cão que está dormindo. — Temulentus dormiens non est excitandus.
336. Ninguém dá o que não tem, nem mais do que tem. — Nemo dat quod non habet, nec plus quam habet.
337. Ninguém é moeda de vinte patacas, para agradar a todos. — Nemo omnibus placet.
338. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.
339. Ninguém é obrigado a fazer o impossível. — Ad impossibilia nemo tenetur.
340. Ninguém é profeta em sua terra. — Nmo propheta acceptus est in patria sua.
341. Ninguém nasce sabendo. — Nemo nascitur sapiens.
342. Ninguém pode ser juiz em causa própria. — Judex in causa propria nemo esse potest.
343. Ninguém pode servir a dois senhores. — Nemo potest duobus dominis servire.
344. Ninguém se contenta com o que tem. — Nemo sua sorte contentus.
345. Ninguém se meta onde não é chamado. — Ad concilium ne accesseris antequam vocaris.
346. No espelho, vê-se o rosto; no vinho, o coração. — Aes formae speculum est, vinum mentis.
347. No meio é que está a virtude. — In medio virtus.
348. No mundo, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, et omnia vanitas.
349. No sofrer e no abster está todo o vencer. — Sustine et abstine.
350. No vinho está a verdade. — In vino veritas.
351. Novos tempos, novos costumes. — Tempora mutantur et nos in illis.
352. O abuso não tira o uso. — Abusus non tollit usum.
353. O abuso não tolhe o uso. — Abusus non tollit usum.
354. O alheio chora a seu dono. — Res ubicumque sit pro domino suo clamat.
355. O amor é como a tosse: impossível ocultar. — Amor tussisque non celantur.
356. O amor e o poder não querem sócios. — Amor et potestas impaciens consortis.
357. O amor entra pelos olhos. — Ex aspectu nascitur amor.
358. O amor tudo vence. — Amor vincit omnia.
359. O autor louva sua obra. — Auctor opus laudat.
360. O avarento rico não tem parente nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.
361. O bem que não fizeres, dos teus não esperes. — Frustra sperabis ab alieno, quodipse tibi praestre noluisti.
362. O boi mais velho ensina o mais novo a arar. — A bove majore discit arare minor.
363. O boi pela ponta, o homem pela palavra. — Cornu bos capitur, voce ligatur homo.
364. O bom juiz ouve o que cada um diz. — Judex ille sapit qui darde censet et audit.
365. O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas. — Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis.
366. O bom pastor deve tosquiar, e não esfolar o seu rebanho. — Boni pastoris est tondere pecus, non deglubere.
367. O bom vinho escusa pregão. — Laudato vino non opus est hedera.
368. O coração sente e a boca mente. — Aliud in ore, aliud in corde.
369. O costume é uma segunda natureza. — Consuetudo altera natura.
370. O dinheiro excita, mas não sacia o avarento. — Avarum irritat, non satiat pecunia.
371. O erro repetido passa por verdade. — Consensus tollit errorem.
372. O fim coroa a obra. — Finis coronat opus.
373. O fim justifica os meios. — Quum finis est licitus etiam media sunt licita.
374. O hábito não faz o monge. — Habitus non facit monachum.
375. O homem é fogo e a mulher estopa: — vem o diabo e sopra. — Dicitur ignis homo, sic femina stupa vocatur; insuflat deamons: — gignitur ergo focus.
376. O homem faz-se por si. — Faber est quisque tortunae suae.
377. O homem honrado não teme murmúrios. — Ab auditione mala non timebit.
378. O homem põe e Deus dispõe. — Homo proponit, sed Deus disponit.
379. O jogo só é desonroso para o pobre. — Alea turpis mediocribus.
380. O ladrão cuida que todos o são. — Esse sibi similes alios fur judicat omnes.
381. O mal ganhado, o diabo o leva. — Mala parta, male dilabuntur.
382. O muito mimo perde os filhos. — Efficit ignavos patris indulgentia natos.
383. O número dos tolos é infinito. — Stultorum infinitus est numerus.
384. O olho do dono trabalha mais que as mãos. — Dominus vidit multum in rebus suis.
385. O parto da montanha. — Parturiun montes, nascetur ridiculus mus.
386. O passado, passado! — Praeterita mutare non possumus.
387. O perdão faz o ladrão. — Eficit insignem nimia indulgentia furem.
388. O pilão conserva o odor do alho socado. — Allia quando terunt retinent mortaria gustum.
389. O pior de esfolar é o rabo. — Detrahitur cauda nunquam bene pellis ab ima.
390. O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada. —  Nihil sine Dio.
391. O que é bom não dura. — Optima citissime pereunt.
392. O que é bom por si se gaba. — Laudato vino non opus est hedera.
393. O que é de mais mal não faz. — Quod abundat non nocet.
394. O que é raro é caro. — Omnia rara cara.
395. O que é ruim de passar é bom de lembrar. — Quae fuit durm pati meminisse dulce est.
396. O que fizeres, encontrarás. —  Ab alio expectes, quod alteri feceris.
397. O que mulher quer, nem o diabo dá jeito. — Quod non potest diabolus mulier evincit.
398. O que não se faz em dia de Santa Luzia, faz-se noutro qualquer dia. — Quod difertur non aufertur.
399. O que não tem remédio, remediado está.  — De re irreparabile ne doleas.
400. O que o sábio faz primeiro, faz o néscio derradeiro. — Quod sapiens prius facit, stultus posterius.
401. O que se faz de noite, de dia aparece. — Nocte lucidus, interdiu inutilis.
402. O que tem de ser tem muita força. — Fata viam inveniunt.
403. O rogado é mais caro que o comprado. — Hic tua mercatur quia a te saepe precatur.
404. O seu a seu dono. — Suum cuique tribuere.
405. O sol nasce para todos. — Sol lucet omnibus.
406. O sono é parente da morte. — Somnus est frater mortis.
407. O temor de Deus é o princípio da sabedoria. — Timor Domini initium sapientiae est.
408. O tempo é mestre. — Dies posterior prioris est discipulis.
409. O tempo tudo traz. — Omnia fert aetas.
410. O tempo vai e não volta. —  Fugit irreparabile tempus.
411. O tempo voa. — Cito pede labitur aetas.
412. O tolo aprende à sua custa. — Malo accepto sultus sapit.
413. O tolo caldo passa por sabido. — Stultus quoque si tacuerit, sapiens reputabitur.
414. O trabalho é que faz o homem. —  Opus artificem probat.
415. O trabalho regula a paga. — Qualis pagatio, talis laboratio.
416. O trabalho tudo vence. — Labor omnia vincit.
417. O travesseiro é o melhor conselheiro. — In nocte consilium.
418. Obras são amores e não palavras. — Re opitulandum, non verbis.
419. Olho por olho, dente por dente. — Oculum pro oculo, dentem pro dente.
420. Onde bem me vai, tenho mãe e pai. — Ubi bene, ibi patria.
421. Onde está a força maior, cessa a menor. — Ubi major est, minor cedat.
422. Onde ha força, direito se perde. — Jus rationis abest, ubi saeva potentia regnat.
423. Onde há fumaça, há fogo. — Semper flamma fumo proxima est.
424. Onde há mel, há abelhas. — Ubi mel, ibi apis.
425. Onde muitos mandam, ninguém obedece. — Multitudo imperatorum curiam perdidit.
426. Onde o galo canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.
427. Onde o ouro fala, tudo cala. — Auro loquente, nihil pollet quaevis oratio.
428. Onde o padre canta, aí janta. — Legitimus propria quaestus ab arte venit.
429. Os mansos possuem o mundo. — Mites possident terram.
430. Os olhos são a janela da alma. — Oculus animi index.
431. Os pés irão onde quiser o coração. — Illic est oculus qua res quam adamamus.
432. Ouro é o que ouro vale. — Hoc aurum scito pretium quod pr tenet aureo.
433. Ovelha que berra, bocado que perde. — Si corvus posset tacitus pasci, haberet plus dapis.
434. Paga o justo pelo pecador. —  Unius peccata tota civitas luit.
435. Pai e mãe é muito bom, barriga cheia é melhor. — Mammas atque tatas nimium conducit habere; sed potum et multum praestat habere cibum.
436. Paixão cega a razão. — Amor caecus.
437. Palavra e pedra que se soltam não têm volta. — Verbum emissum non redit.
438. Palavras ditas, pancadas dadas. — In maledicto plus injuriae quam in manu.
439. Palavras, leva-as o vento. — Verba volant.
440. Panela que muitos mexem, ou sai insossa ou salgada. — Quod multum commune est, minima abdhibitur diligentia.
441. Pão de hoje, carne de ontem e vinho de outro verão fzem o homem são. — Carnem hesternam, panem hodiernum, annotina vina, sume libens dicto tempore, sanus eris.
442. Papagaio velho não aprende a falar. — Psittacus vetus non discit loqui.
443. Para cavalo novo, cavaleiro velho. — Antiquus pullum scandere novit eques.
444. Para grandes males, grandes remédios. — Extremis morbis, extrema, exquisita remedia optima sunt.
445. Para não acabar, é melhor não começar. — Aut non tentaris, aut perfice.
446. Para o passarinho, não há como seu ninho. — Cespite natali quilibet optat ali.
447. Para que cego com espelho? — Quid caeco cum speculo?
448. Para tudo há remédio, menos para a morte. — Contra vim mortisnon est medicamen in hortis.
449. Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. — Lignum tortum haud unquam rectum.
450. Pedra que rola não cria limo. — Musco lapis volutus non abducitur.
451. Pela amostra se conhece a chita. — E fimbria de texto judicatur.
452. Pela linha vi a tinha. — Morbus hereditarius.
453. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ab ungibus leo.
454. Pelo dedo se conhece o gigante. — Ex digito gigas.
455. Pelo dedo se conhece o leão. — A digito cognoscitur leo.
456. Pelo fruto se conhece a árvore. — Arbor ex frutcu cognoscitur.
457. Pelos frutos se conhece a árvore. — A fructibus eorum cognoscetis eos.
458. Pequenas dívidas fazem grandes inimigos. — Aes debitorum leve, grave inimicum facit.
459. Perca-se tudo, menos a honra. — Omnia si perdas, famam servare memento.
460. Perdoar ao mau é dizer-lhe que o seja. — Bonis nocet qui malis parcit.
461. Pobre muda de patrão, mas não de condição. — Pauper dominum, non sortem mutat.
462. Pobre não tem amigo nem parente. — Inopi nullus amicus.
463. Por bem fazer, mal haver. — Pro beneficio maleficium accipere.
464. Por fora muita farofa, por dentro molambo só. — Res modo formoase foris, intus erunt maculosae.
465. Porta aberta, o justo peca. — Oblata occasione, vel justus perit.
466. Portador não merece pancada. — Nuntio nihil imputandum.
467. Pouco fel faz azedo muito mel. — Ex gutta mellis generantur flumina fellis.
468. Pra mula velha, cabeçada nova. — Mula senex fulvis orntur saepe lupatis.
469. Preso e cativo não tem amigo. — Donec eris felix, multos numerabis amicos.
470. Princípios ruins, desgraçados fins. — Mali principii malus exitus.
471. Procurar agulha em palheiro. — Acum in meta foeni quaerere.
472. Quando Deus não quer, Santos nãorogam. — Nolente Deo, effundentur inaniter preces.
473. Quando Deus quer, com todos os ventos chove. — Largitur pluvias, ubi vult divina potestas.
474. Quando os gatos não estão em casa, os ratos passeia por cima da mesa. — Audacem reddit felis absentia murem.
475. Quando os meus males forem velhos, os de alguém serão novos. — Quid rides me flente? — novum tibi crede futurum luctum, forte meus cum mihi priscus erit.
476. Quando um não quer, dois não brigam. — Unus duntaxat non preliatur.
477. Quanto maior é a ventura, tanto menos é segura. — Nemo infelicitati propinquior, quam nimis felix.
478. Quanto mais besta, mais peixe. — Fortuna favet fatuis.
479. Quanto mais se vive, mais se vê. — Multa ferunt anni venientes commoda secum.
480. Quatro olhos vêem mais do que dois. — Auspiciunt oculi duo lumina clarius uno.
481. Queijo de ovelha, leite de cabra, manteiga de vaca. — Caseum ovis, lac capra mi dent et vacca butyrum.
482. Quem  vaca de el-rei come magra, gorda a paga. — Est qui macram regis vaccam, solvit opimam.
483. Quem a boa árvore se chega, boa sombra o cobre. — Non male sedet qui bonis adhaeret.
484. Quem aconselha não obriga. — Nemo consilio obligatur.
485. Quem adiante não olha, atrás se fica. — Qui nimium properat, serius absolvit.
486. Quem ama a Beltrão, ama seu cão. — Qui me amat, meos diligit.
487. Quem ama a Beltrão, ama seu irmão. — Qui me amat meos diligit.
488. Quem anda no mar aprende a rezar. — Qui nescit orare, pergat ad mare.
489. Quem aos vinte não barba, aos trinta não casa e aos quarenta não tem, não barba, não casa, não tem. — Sera sunt baba pos vigesimum, scientia post trigesimum, divitiae pos quadragesimum.
490. Quem as coisas muito apura, não vive vida segura. — Qui nimis inquirit, multa pericla subit.
491. Quem bem ama, bem castiga. — Qui bene amat, bene castigat.
492. Quem bem vive, bem morre. —Qui vult rite mori, ne prave vivat oportet.
493. Quem cala não quer barulho. — Omnia qui reticet, munera pacis habet.
494. Quem cala vence. — Silentii tutum praemium.
495. Quem cala, consente. — Qui tacet, consentire videtur.
496. Quem cedo dá, dá duas vezes. — Bis dat qui cito dat.
497. Quem com coxo anda, aprende a mancar. — Semper eris similis cum quibus esse cupis.
498. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. — Qui gladio ferit, gladio perit.
499. Quem comeu a carne que roa os ossos. — Faecem bibat qui vinum bibit.
500. Quem compra e mente, na bolsa o sente. — Mendacem emptorem crumena arguit.
501. Quem corre atrás de dois, um vai embora.  — Lepores duos insequens, neutrum capit.
502. Quem corre, cansa; quem anda alcança. — Festinatio tarda est.
503. Quem dá aos pobres empresta a Deus. — Qui dat pauperi non indigebit.
504. Quem dá o pão dá o castigo. — Dum repascis natos pane, flagella premant.
505. Quem dá o que é seu, sem ele se fica. — Si tua das cunctis omnia, multa feres.
506. Quem desdenha quer comprar. — “Malum est, malum est”, dicit omnis emptor.
507. Quem deve a quem me deve, a mim me deve. — Debitor debitoris mei debitor meus est.
508. Quem diabos compra, diabos vende. — Daemonium vendit qui daemonium prius emit.
509. Quem dinheiro tiver, fará o que quiser. — Pecuniae obediunt omnia.
510. Quem diz o que quer, ouve o que não quer. — Quis quae vult dicit, quae non vult audit.
511. Quem é teu inimigo? — É o oficial de teu ofício. — Faber fabro invidit.
512. Quem escuta, de si ouve. — Experta est linguas auris iniqua malas.
513. Quem está bem, deixe-se estar. — Regula certa datur: qui stat bene ne moveatur.
514. Quem está com fome, não escuta conselhos. — Venter auribus caret.
515. Quem está trabalhando, a Deus está se encomendando. — Laborare est orare.
516. Quem faz o mal, espere outro tal. — Ab alio spectes alteri quod feceris.
517. Quem faz uma vez, faz duas e três. — Semel artiex, millies artifex esse potest.
518. Quem foi Naninha! — Quantum mutatus ab illo!
519. Quem foi ruim, não deixa de ser. — Semel malus, semper malus.
520. Quem fz neste mundo, aqui mesmo paga. — Quisquis iniqua facit, patiatur iniqua, necesse est.
521. Quem graças faz, graças merece. — Gratia gratiam parit.
522. Quem mais alto sobe, maior queda dá. — Quo quisque est altior, eo est periculo proximior.
523. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubitando ad veritatem parvenimus.
524. Quem mais duvida, mais aprende. — Dubium sapientiae initium.
525. Quem mais grita não é quem tem mais razão. — Copia sermonis non est consors rationis.
526. Quem mais tem, mais deseja. — Plurima cum tenuit, plura tenere cupit.
527. Quem mal começa, mal acaba. — Mali principii malus exitus.
528. Quem mal cospe, duas vezes se alimpa. — Bis tergendus erit qui male sputa jacit.
529. Quem mal fala, pior ouve. — Malecicens pejus audit.
530. Quem muito abarca, pouco aperta. — Plurima conants prendere pauca ferunt.
531. Quem muito fala, muito enfada. — Malo tacere mihi quam mala verba loqui.
532. Quem muito fala, muito erra. — Multis lingua nocet: — nocuere silentia nulli.
533. Quem muito pede, muito fede. — Importunus erit crebo quicumque rogabit.
534. Quem não aceita conselhos, não merece ajuda. — Qui se consuluit solus secum ipse dolebit.
535. Quem não aparece, se esquece. — Tam procul ex oculis quam procul ex corde.
536. Quem não arrisca, não petisca. — Nihil lucri cepit qui nulla pericla subivit.
537. Quem não avança, recua. — Non progredi est regredi.
538. Quem não é por mim, é contra mim. — Qui non est mecum, contra me est.
539. Quem não o conhecer, que o compre. — Tollat te, qui te non novit.
540. Quem não pode o menos, não pode o mais. — Cui non licet quod est minus, utique non licet quod est plus.
541. Quem não quer quando pode, não pode quando quer. — Nulli pro libito est unquam concessa libertas.
542. Quem não quer trabalho, não quer ganho. — Molam qui vitat, farinam vitat.
543. Quem não sabe calar, não sabe falar. — Qui nescit tacere, nescit et loqui.
544. Quem não sabe falar, é melhor calar. — Praestat tacere quam stulte loqui.
545. Quem não sabe fingir, não sabe governar. — Qui nescit dissimulare, nescit regnare.
546. Quem não sabe sofrer, não sabe vencer. — Vincit qui tapitut.
547. Quem não tem cabeça, não carrega chapéu. — Carente capite non opus est pileo.
548. Quem não tem farinha, pra que quer peneira? — Qui caret asino, clitellam ne quaerat.
549. Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu. — Cui pudor non est, orbi dominator.
550. Quem não trabalha, não come. — Qui non laborat, non manducet.
551. Quem nega e depois faz, quer paz. — Ille est pacis amans, quicunque negata retracta.
552. Quem o alheio veste, na praça o despe. — Qui furtim accipit, palam exsolvit.
553. Quem o feio ama, bonito lhe parece. — Suum cuique pulchrum.
554. Quem paga o que deve, aumenta o que é seu. — Solve aes alienum et quod te cruciat, scias.
555. Quem pode o mais, pode o menos. — Cui licet quod est plus, licet utique quod est minus.
556. Quem pode ser seu, sendo de outro é sandeu.  — Alterius non sit qui suus esse potest.
557. Quem poupa os maus, prejudica os maus. — Bonis nocet qui malis parcet.
558. Quem primeiro anda, primeiro manja. — Primus veniens, primus molet.
559. Quem procura, acha. — Qui bene perquirunt, promptius inveniunt.
560. Quem quer tudo, tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.
561. Quem quiser cedo engordar, coma com fome e beba devagar. — Si potes lente, capiasque famelicus escam optatam, exiguo tempore pinguis eris.
562. Quem ri hoje, chora amanhã. — Post gaudia, luctus.
563. Quem se faz de mel, moscas o comem. — Si dulcis fias ut mel, te musca vorabit.
564. Quem se faz de ovelha, o lobo o come. — Quisquis ovem simulat, hunc lupus ore vorat.
565. Quem se sentir sem culpa, atire a primeira pedra. — Qui est sine peccato, primum in illa lapidem mittat.
566. Quem se vence, vence o mundo. — Vincere cor proprium plus est quem vincere mundum.
567. Quem se veste de ruim, veste-se duas vezes no ano. — Bis anno vestiri si vis, vilem indue pannum.
568. Quem semeia ventos, colhe tempestades. — Ventum seminabunt et turbinem metent.
569. Quem sempre mente, vergonha não sente. — Semper mendax impudens.
570. Quem sozinho comeu seu galo, sozinho sele seu cavalo. — Qui solus comedit, solus sua pondere gestat.
571. Quem tem amor, tem ciúme. — Qui non zelat, non amat.
572. Quem tem carneiro, tem lã. — Semper habet lanam, cui copia larga bibentum.
573. Quem tem inimigo, não dorme. — In periculo non est dormiendum.
574. Quem tem o que perder, tem o que comer. — Plura timenda divitibus.
575. Quem tem ofício, tem benefício. — Ars portus miseriae.
576. Quem tem telhado de vidro não atira pedra no dos outros. — Desinant maledicere malefacta ne noscant sua.
577. Quem trabalha o dia inteiro, acha mole o travesseiro. — Dulcis est somnus operantis.
578. Quem tudo quer tudo perde. — Avidum sua saepe deludit aviditas.
579. Quem vê a barba do vizinho arder, bota a sua de molho. — Jam tua res agitur, paries cum proximus ardet.
580. Quem vê cara, não vê coração. — Frons, oculi, vultus persaepe mentiuntur.
581. Quem vier atrás, que feche a porteira. — Qui postremus abit, redeuntibus ostia claudet.
582. Querer é poder. — Volle est posse.
583. Questão puxa questão. — Lis litem parit.
584. Raio não cai em pau deitado. — Periunt summos fulmina montes.
585. Raposa cai o cabelo, mas não deixa de comer galinha. — Lupus pilum mutat, non mentem.
586. Raposa que dorme não apanha galinha. — Dormiens nihil lucratur.
587. Raposa velha não cai em armadilha. — Annosa vulpes non capitur laqueo.
588. Remenda teu pano, durará mais um ano; remenda outra vez, durará mais um mês; torna a remendar, pra então se acabar. — Se vestem repares, longum durabis in annum.
589. Resposta branda a ira quebranta. — Responsio mollis frangit iram.
590. Rico avarento não tem parente, nem amigo. — Affinem nullum dives avarus habet.
591. Rico é quem se contenta com o que tem. — Sorte sua quisque dives, si contentus.
592. Roma não se fez num dia. — Non fuit in solo Roma peracta die.
593. Saltar das brasas e cair nas labaredas. — Incidit in flammam cupiens vitare favillas.
594. Saram cutiladas e não más palavras. — In maledicto plus injuriae quam in manu.
595. Saúde cuidada, vida conservada. — Custodit vitam qui vustodit sanitatem.
596. Se as armas falam, as leis se calam. — Silent inter arma leges.
597. Se há de mais tarde chorar o pai, chore agora o filho. — Melius est pueri fleant quam senes.
598. Se há de se dar ao rato, dê-se ao gato. — Accipiat felis quae vellent rodere mures.
599. Se queres a paz, prepara-te para a guerra. — Si vis pacem, para bellum.
600. Se queres ser velho moço, faze-te velho cedo. — Mature fies senex, si diu velles esse senex.
601. Se te dá o pobre, é para que mais te tome. — Dat tibi, ut accipiat duplicata numismata, egenus.
602. Sem conheceres, não louves nem ofendas. — Antequam noveris a laudando et vituperando abstine.
603. Sem dinheiro, tudo é vão. — Absque argento omnia vana.
604. Só s sabe o que é saúde quando se está doente. — Pretiosa quam sit sanitas morbus docet.
605. Sobre gosto não se discute. — De gustibus et coloribus non est disputandum.
606. Sol e sal livram a gente de muito mal. — Cum sale et sole omnia fiunt.
607. Tal amo, tal criado. — Qualis dominus, talis servus.
608. Tal pai, tal filho. — Qualis pater, talis filius.
609. Tal vida, tal morte. — Tal vida, tal morte.
610. Tantas cabeças, tantas opiniões. — Tot capita, tot sententiae.
611. Tanto tens, tanto vales. — Nihil satis est, quia tanti, quanti habeas, sis.
612. Tanto vai o pote à bica, que um dia lá se fica. — Cantharus assidue gestatus perdidit ansam.
613. Tão bom é o ladrão como o consentidor. — Agentes et consentientes pari poena puniuntur.
614. Tarde dar é o mesmo que negar. — Tarde benefacere nolle est.
615. Tarde piaste! — Sero venisti.
616. Temer a morte é morrer duas vezes. — Crudelius est quam mori semper mortem timere.
617. Tempo de guerra, mentira como terra. — Multa in bellis inania.
618. Tempo é remédio. — Tempus tempora temperat.
619. Tempo perdido não se recupera. — Praeteritum tempus umquam revertitur.
620. Toda comparação é odiosa. — Omnis comparatio odiosa.
621. Toda sobra é demasiada. —  Ne quid nimis.
622. Tolo é quem cuida que o seu inimigo se descuida. — Hostis nunquam contemnendus.
623. Tosse, amor e febre ninguém esconde. — Amor tussisque non celantur.
624. Trabalho bem começado, meio acabado. — Dimidium facti qui bene coepit habet.
625. Trato é trato. — Pacta sunt servanda.
626. Triste de quem morre! — Vae mortuis!
627. Tudo na vida quer tempo e medida. — Mensura omnium rerum optima.
628. Tudo passa sobre a terra. — Tempus longum vitiat lapidem.
629. Tudo pode ser, sem ser milagre. — Omnia eveniunt ut sunt humana.
630. Tudo que é demais aborrece. — Quod nimium est, laedit.
631. Um abismo atrai o outro. — Abyssus abyssum invocat.
632. Um gago entende o outro. — Balbus balbum intellegit.
633. Um grão não enche o celeiro, mas ajuda o companheiro. —  Singula quae non possunt multa collecta juvant.
634. Um ruim conhece outro. — Bestia bestiam novit.
635. Uma andorinha só não faz verão. — Una hirundo non facit ver.
636. Uma desgraça nunca vem só. —  Malis mala succedunt.
637. Uma faca amola a outra. — Ferrum ferro acuitur.
638. Uma mão lava a outra e ambas o rosto. — Dextra fricat laevam, vultus fricatur ab illis.
639. Uma mentira acarreta outra. — Fallacia alia aliam trudit.
640. Uma testemunha, nenhuma testemunha. — Testis unus, testis nullus.
641. Uns plantam, outros colhem. — Alii sementem faciunt; alii metent.
642. Usa e serás mestre. — Usus optimus rerum magister.
643. Usar, não abusar. — Uti, non abuti.
644. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. — Vanitas vanitatum, omnia vanitas.
645. Vão as leis onde querem os reis. — Quae vult rex fieri, sanctae sunt congrua legi.
646. Vasilha ruim não se quebra. — Vas malum non frangitur.
647. Velhice é doença. — Senectus est morbus.
648. Velhice e mercadoria ruim levam-se às costas. — Aetas mala merx mala terga.
649. Velhice, segunda meninice. — Senectus est velut altera pueritia.
650. Vence quem se vence. — Vincit qui se vincit.
651. Vender em casa, comprar na feira. — Vende domi, emi in mundinis.
652. Ver para crer. — Oculis magis habenda fides quam auribus.
653. Ver, ouvir e calar. — Auribus frequentius quam lingua utere.
654. Vinho do meio, mel de baixo, azeite de cima. — Vinum intra, subsidant mella, superstet oliva.
655. Vinho velho, amigo velho e ouro velho. — Annosum vinum, socius vetus et vetus aurum.
656. Viúva rica com um olho chora e com o outro repica.  — Si vidua est locuples, lacrimoso lumine ridet.
657. Viva a galinha com a sua pevide! — Morbosam retine vitam formidine mortis.
658. Voz do povo, voz de Deus. — Vox populi, vox Dei est.